Archive | outubro 2011

As perguntas mais frequentes

Acontece com todos os repórteres: a maioria dos entrevistados faz as mesmas perguntas pra nós e temos que responder sempre a mesma coisa. Vou colocar aqui embaixo trechos de diálogos frequentes com meus entrevistados. É sempre assim:

 

– Já tá gravando?

– Não, não. Ele (cinegrafista) está só pegando algumas imagens. Enquanto isso, vamos conversando pra eu pegar algumas informações. Na hora de gravar eu aviso.

 

– Eu olho pra você ou pra câmera?

– Pra mim. Esqueça a câmera. Ela intimida a gente.

 

– Moço, PELAMORDEDEUS, se eu errar, vocês editam, né?

(Risos) Se preocupe não. Se errar a gente volta.

 

– Eu tô bem assim? Tô bonita?

– Tá linda. Vamos lá?

 

– Vai passar quando?

– Olha, não sei te dizer, porque é o pessoal da edição quem escolhe o dia que vai passar (no caso de matérias frias). Mas, com certeza, vai ser no jornal da manhã, à partir das 7:30

– Seis e cinquenta! – Diz o cinegrafista, me lembrando que a gente tá em horário de verão.

– Ah, é! Seis e cinqüenta. Ainda não me acostumei com esse horário de verão.

 

É quase sempre assim.

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E.P.I.

De vez em quando a gente tem que pagar alguns micos. Quando a gente entra pra gravar em construções ou em cozinhas de restaurantes, normalmente colocam algum adereço na cabeça da gente. Vai o repórter ter que gravar passagem assim mesmo.

Tudo bem, é indispensável o equipamento de proteção individual. Essa foi de hoje.

A gente começa assim

1, 2, 3… testando.

Não é o primeiro blog que eu faço, contando o dia-a-dia na reportagem. Mas é o meu primeiro como profissional.

Muito me perguntam sobre a profissão do repórter. “É você quem escolhe o que vai fazer?”; “Já sabe o que vai fazer amanhã?”.

O repórter nunca sabe, com certeza, o que vai fazer daqui a uma hora – muito menos amanhã. O amanhã é muito longe. O período de tempo entre bater o ponto de entrada e o de saída da tv é muito grande.  Ou você acha que todo mundo sabia com antecedência sobre a enchente de julho do ano passado? Que alguém imaginava que um homem ia entrar atirando numa escola e se matar alí mesmo? Que as torres gêmeas seriam atacadas? Muita coisa acontece nesse intervalo. A cidade muda numa manhã, o mundo muda numa tarde. E o repórter precisa estar onde está a notícia.

Espero poder deixar você, leitor, por dentro do meu dia-a-dia profissional. Uma função trabalhosa, muito trabalhosa, mas bastante compensadora também.