Archive | janeiro 2012

“Valeu muito a pena”

Hoje eu voltava pra casa com minha chefe e confessei a ela que gostava mais de fazer matérias factuais, quentes, do dia, do que matérias de comportamento. E sei que não sou o único.

No último dia do julgamento dos acusados de tramar e executar a Chacina da Gruta, 19 de janeiro, minha chefe me ligou cedinho, pedindo para, ao invés de ir para a TV, seguir direto para o fórum. Eu iria ajudar ao repórter de lá, colhendo sonoras.

Cheguei lá e me deparei com um amontoado de jornalistas. Acabou o julgamento e começou a nossa movimentação. Todos os jornalistas que estavam quietinhos há quatro dias, se amontoaram em cima da família das vítimas, se espremeram para conseguir uma fala dos condenados, da acusação, da defesa…

Nessas horas é um empurra-empurra, todo mundo disputando um centímetro quadrado de espaço pra conseguir colocar o microfone, as câmeras fotográficas e filmadoras de forma adequada. Um caos!

Depois de nos espremer em volta de todas as partes envolvidas no júri, o meu dia estava só começando. A maioria dos repórteres presentes, no entanto, tinha olheiras profundas, caras de sono, cabelos despenteados e roupas amarrotadas. Marcas da cobertura intensa e cansativa. Alguns estavam ali há mais de 24 horas, direto, sem descanso – e sem reclamar.

Na saída, me despedi de uma colega de profissão que, às 8 da manhã, completava um dia inteiro de trabalho e estava indo para o merecido descanso.

– Cê tá com uma cara… Tá cansada, né? – perguntei, já tendo certeza da resposta.

– Tô. Tô morta! Mas valeu muito a pena. – ela respondeu, com cara de cansaço e satisfação.

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Eu e a Ângelo Neto

Eu nasci em 17 de março de 1988, na maternidade do Hospital Ortopédico de Maceió, na Rua Ângelo Neto. Minha primeira escola, depois da creche – e por onde eu permaneci até ir morar em Aracaju, aos 10 anos, foi o Colégio Santíssimo Sacramento, na rua Ângelo Neto. Ao voltar da capital sergipana, eu estudei todo o ensino superior e me formei jornalista no auditório da Faculdade de Educação e Comunicação do Cesmac, na rua Ângelo Neto.

As partes mais importantes e fundamentais da minha vida aconteceram na rua Ângelo Neto.

Quis o destino que o meu primeiro emprego como jornalista fosse lá, no número 113 da rua Ângelo Neto. Hoje, nascido, criado e formado na mesma rua (não por planejamento, mas por coincidência), sou feliz no lugar onde trabalho.

Foi o lugar que me deu conhecimento prático e teórico – ambos fundamentais, o lugar que me estendeu a mão, que me deu, e continua dando, oportunidades de crescimento a cada dia. Impossível, desta forma, não me apegar, não adorar trabalhar lá, na “minha” rua, na “minha” tv.

A Tv Pajuçara completa hoje 20 anos e eu me sinto uma pequena parte disso. Todos os dias de manhã, quando eu faço a curva que me dá uma visão privilegiada da rua Ângelo Neto, sei que trabalho num local que faz parte da minha vida pra valer.

Um dia daqueles

Na minha primeira postagem deste blog, eu escrevi:

 “O repórter nunca sabe, com certeza, o que vai fazer daqui a uma hora – muito menos amanhã. (…) O período de tempo entre bater o ponto de entrada e o de saída da tv é muito grande.”

Hoje foi um dia desses.

Saí da tv um pouco mais cedo. A pauta era um café da manhã com uma coletiva de imprensa para lançar a segunda edição de um campeonato de luta. Por mais chato que seja, coletiva de imprensa é a chance de a gente encontrar com colegas de outros veículos e jogar papo fora enquanto a bendita entrevista não começa (e elas quase sempre atrasam).

Na saída da coletiva, um colega diz: “Arthur! Protesto de rodoviários no Centro. Tô indo pra lá”.

Liguei pra redação. Repassei o que tinha acabado de saber e fiquei à espera de segunda ordem. Até então, minha outra pauta ainda estava de pé. Mas foi só eu descer do carro.

Toca o telefone. Era a produção. “Derruba. Vai pro Centro!”.

Quando isso acontece, tudo tem que se resolver alí mesmo. O repórter tem que buscar as informações, as fontes, os entrevistados. Nesse caso, tive sorte. A população estava revoltada com o protesto e via nos microfones da imprensa uma forma de desabafo.

O mais difícil é saber o que de fato aconteceu e o que é “disse-me-disse”. Fora isso, organizar tudo na cabeça, a estrutura da matéria, o que entra, o que não entra, o que vai ser o texto da passagem. E isso tudo sob um calor de muitos graus.

Resumo da ópera: ficou assim.