Archive | março 2012

À espera do próximo minuto

Jornalista gosta de correria, vuco-vuco, aperto, adrenalina. Bom mesmo é quando a pauta “vira”, quando o programado vai pro beleléu e dá lugar ao fato quente, acontecendo alí, na hora, na sua frente.

Eu nunca tinha coberto uma operação policial. E é tudo isso o que eu falei aí em cima. É estar conversando com alguém e, de repente: “TÁ CHEGANDO UMA VIATURA DA POLÍCIA!”. Correria geral.

– Mas é só um monte de documento, gente.

– Ah, sim… Do que a gente estava falando mesmo?

– Sim, então, aí a produtora disse assim pra mim e… OUTRA VIATURA! OUTRA VIATURA!

Correria geral. De novo. TEM UM PRESO! TEM UM PRESO! Enfia microfone dentro da viatura, encosta a câmera na cara do cidadão e vem um bombardeio de perguntas – das mais acertadas às mais sem nexo.

– Por que o senhor está preso?

– O que o senhor tem a dizer em sua defesa?

– Como é o seu nome?

– Esse dinheiro é seu?

– Tostines vende mais porque é fresquinho, ou é fresquinho porque vende mais???

Naquele momento, os presos nos odeiam, os policiais nos odeiam… Até nós mesmos temos as nossas queixas.

– Porr*, meteu o cabeção na minha frente, não consegui fazer a foto!

– Caralh*, ficou na frente da câmera!

– Ei, quem tava com a mão na minha bunda?

– Alguém me explica que pergunta foi aquela?

Mas é isso mesmo. Dizem que o factual deixa o jornalista “burro”, que bom mesmo é matéria especial, que faz pensar, que exige toda a capacidade em escrever, em traduzir acontecimentos, em contar histórias. Fato. Mas é muito bom quando não se sabe o que esperar do próximo minuto.

Minha primeira operação policial devidamente registrada.  Com certeza aquela de “ficou na frente da câmera” foi pra mim e pro Welliton
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