Archive | agosto 2012

3, 2, 1…

3, 2, 1. É assim que sempre começam as passagens da maior parte dos repórteres.

Dizer o ‘3, 2,1’ antes de começar a falar indica que, ao final daquela contagem, é o que deve entrar no ar. Os editores ficam atentos nisso e a chance de erros diminui. As vezes a gente faz a contagem no início, erra e refaz o texto, sem sinalizar com a regressiva. Sabe o que pode acontecer?

Sim, é capaz de passar despercebido pela edição e ir pro ar assim mesmo (embora eu já tenha visto casos de ‘3, 2, 1’ indo pro ar também, mas é bem mais difícil de acontecer o erro). Portanto, se encontrar por aí um repórter fazendo a contagem regressiva, fica de boa, porque é assim mesmo.

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Uma pequena historinha

Eu não vi acontecer, mas um amigo de um amigo meu, viu. Ele disse que conhecia um repórter. Legalzinho aquele rapaz, todo mundo gostava dele. Só tinha um problema: o tamanho. Pequenininho, menor que o menor anão do mundo. Mas, tirando isso, era um cara bem gente boa.

Até os entrevistados gostavam dele. Ele não gostava muito de perguntar, sabe? Perguntava só o que tinha na pauta. Não queria se indispor com as pessoas e não fazia por onde questionar. Voltava pra redação cheio de interrogações na cabeça, não sei como aguentava. Mas, enquanto os entrevistados gostassem dele, estava tudo bem.

Certa vez, veja só, o reporterzinho precisou entrevistar um político, daqueles que exalam ‘maucaratismo’. Deixou o microfone à serviço do homem de terno, recebeu uma resposta vazia, sem conteúdo, mas preferiu não insistir. Vai que o parlamentar se irrita, né? Melhor deixar quieto. E até deu certo, pois o político virou camarada dele.

Até que um dia o pequeno repórter acordou, como se diz, com o ovo virado. Chegou na primeira pauta com cara de poucos amigos, sangue nos olhos mesmo, e lá estava aquele político falastrão. Veio todo feliz, cumprimentar o tiquinho de gente que o deixava falar o que quisesse. Mas aquele, não era um dia qualquer. Ah, não era…

O nanico fez a primeira pergunta e, antes do fim da resposta, já emendou a segunda. E assim foi com a terceira, a quarta, a quinta pergunta de uma entrevista cheia de questionamentos. O político suou frio, riu amarelo, não sabia o que dizer… Até que coisas estranhas começaram a acontecer. O pequeno repórter cresceu. Cresceu assim, muito. Ninguém acreditou.

E foi nesse dia em que o pequeno repórter começou a questionar, que ele virou um grande jornalista. Essa história é verdadeira. Quem contou, foi um amigo de um amigo meu.

Aprendizado cíclico

Pra mim, telejornalismo é assim:

Primeiro você não sabe nada. Pode até achar que sabe, mas não sabe, não. Aí você vai aprender, na teoria, como faz. Pergunta a um, pergunta a outro, consulta livros, lê na internet, fuça no YouTube;

Aí chega a hora de pôr em prática. Na primeira vez, você simplesmente quer conseguir. Consegue e fica feliz;

Na segunda, você já começa a olhar pra aquilo de uma forma mais crítica, procurando os pontos pra melhorar – e é aí que a coisa começa a ficar boa.

E aí os dias vão passando, você treina, treina, treina, erra. Treina, treina, treina, erra de novo, treina mais um pouco, até que chega aquele dia que você e fala: “Mas olha só, parece que aprendi”.

Aí você vai procurar outra coisa que você ainda não sabe. Aí você vai aprender na teoria como faz. Pergunta a um, pergunta a outro, consulta livros, lê na internet, fuça no YouTube… E o ciclo vai se repetindo. Sempre buscando ir além, sempre buscando aprender coisas novas, sempre perguntando aos mais experientes, buscando… É assim que tem que ser.